quarta-feira, 13 de julho de 2011

#DiaMundialDoRock - Elas fazem rock desde o surgimento do danado

Para não passar em branco esse 13 de julho, Dia Mundial do Rock, que na verdade pra gente do rock n'roll é dia dele todo dia, resolvi fazer um repost do texto que muita gente curtiu no portal e serve de homenagem pra mulherada do rock nacional.

Elas fazem rock desde o surgimento do danado


Lutando contra preconceitos dos anos 1950, quando o rock nasceu, época que lugar de mulher era no tanque, Nora Ney e Celly Campello deram o pontapé inicial abrindo as portas para o rock feminino no Brasil.

Ao ler a chamada desse texto alguém poderá falar: “pow que papo feminista”. Mas o feminismo na verdade não pode ser encarado como preconceito contra os homens e sim como um processo de transformação que engloba avanços, medos, alegrias, ideologia, movimento político, enfim, o feminismo está presente ao longo da história conforme a situação da mulher na sociedade antiga até os dias atuais e continua a ser trabalho diariamente, pois o que todas nós queremos são direitos, deveres e comportamentos distintos para homens e mulheres. Sem violência contra a mulher e sem exploração! Aí outro alguém pode falar “música não tem cor, raça ou sexo”. Tudo bem, não tem mesmo! É ritmo, sons, expressão, emoção, sedução. Só que existem os estilos, as personalidades que lutaram contra muitos preconceitos, inclusive a mulherada. Então, pra ninguém se perder ou julgar ser alguma conspiração, vamos iniciar o nosso mergulho no universo rock n’roll feminino, seguindo a cronologia histórica, para saber como tudo começou. Igual diz um antigo ‘deitado japonês’: “vamos começar do começo”.

Se em 1951 existisse exame de DNA, poderíamos saber quem é realmente o pai da criança, pois alguns pesquisadores, inclusive Kid Vinil, autor do livro “Almanaque do Rock” (Ediouro, São Paulo, 2008), dizem que foi Ike Turner o primeiro a gravar música no estilo rock, no compacto “Rocket 88”. Paulo Chacon, autor do livro “O que é rock” (Brasiliense, São Paulo, 1982) apresenta alguns nomes que podem servir de possíveis opções para assumirem a paternidade: Jackie Breston (1951) com o sucesso “Rocket’88”, Bill Haley (1953) com “Crazy, man, crazy” e Crew-cuts (1954) com “Sh-boom”. Na apresentação de seu livro, Kid Vinil afirma que em 1955 Chuck Berry inventou o rock and roll e Elvis Presley o popularizou, tornando-se o rei do rock. Talvez para os amantes do estilo, quem criou não importa, mas sim que o rock existe até hoje e influenciou muitos artistas brasileiros que deram conta do recado muito bem.

O rock nosso de cada dia

O rock surgiu no Brasil através de uma mulher, a Nora Ney, que em 1958 regravou "Rock Around The Clock", grande sucesso de Bill Haley. Ela na verdade sempre cantou bolero e pensando ter arriscado inutilmente gravar pelo menos uma música rock n’roll, se surpreendeu com o sucesso que fez. E de olho nesse sucesso, a gravadora de Heleninha Silveira no mesmo ano lançou uma versão em português da mesma música que ganhou o nome de “Ronda das Horas”. Naquela época elas ainda eram vistas com preconceito, pois mulher que encarava a vida artística era rotulada como prostituta, não podia, lugar de mulher era no tanque, cuidando dos filhos e do marido ou preparando o enxoval pra casar.

E o rock por aqui ganhou mais força ainda por causa de uma outra mulher, a Celly Campello. As canções de rock no Brasil - até meados de 1960 - eram regravações de sucessos americanos ou versões em português das mesmas músicas, até a turma da Jovem Guarda – que contava com a Wanderléia - utilizava esses critérios na maior parte de seu repertório. Celly Campello em 1959 fez muito sucesso com a versão tupiniquim de "Estúpido Cupido". Durante a vida ela fez remakes de outros sucessos: “Lacinhos Cor-de-Rosa”, “Billy”, “Banho de Lua”, que lhe renderam inúmeros prêmios e troféus, inclusive no exterior, além do título de Mãe do Rock Brasileiro.

No exterior Brenda Lee, Aretha Franklin e Wanda Jackson já trilhavam o caminho do rock e, inspiradas nelas, em 1961, The Shirelles chegou ao topo das paradas americanas com o hit "Will You Love Me Tomorrow?". E assim surgia a primeira banda formada somente por mulheres que incentivou a criação de outras, como The Shangri-las, The Ronettes, The Crystals. Mas vamos falar sobre a mulherada gringa na próxima edição, ok.

Esse tal de roquenrou da Rita Lee

Voltando ao Brasil, nos anos 1960 Rita Lee aprendia a tocar bateria e a cantar, quando ainda estava no colégio. Então, para mostrar seus dotes artísticos, resolveu participar dos festivais da escola e para isso formou a banda The Teenages Singers com as amigas Suely Chagas, Jean e Beatrice. Teenages Singers pode ser considerada a primeira banda de rock feminino do país. Elas faziam um som mais vocal e menos instrumental, interpretando músicas de Mamas and the papas, Beach Boys, entre outros. A banda fazia muito sucesso e era chamada pra tocar em todos os festivais das escolas de São Paulo, entre elas Mackenzie e Caetano de Campos. E assim as meninas acabaram conhecendo uma banda formada somente por meninos, mas era mais instrumental, chamava The Wooden Faces. A amizade entre eles foi crescendo, até que resolveram unir as bandas. Elas cantavam e eles tocavam. Com o tempo alguns integrantes foram desistindo e restaram Rita, Sergio e Arnaldo. Isso aí, surgia Os Mutantes, banda que Rita Lee participou de 1968 a 1970, incluindo outros ingredientes nas músicas como banjo, sons de gravador portátil, gaita, e até uma bomba de dedetização.

Rita Lee foi expulsa dos Mutantes, pois os integrantes achavam que ela não tinha o virtuosismo necessário para tocar o rock progressivo, novo interesse da banda. Ela ficou depressiva por um tempo, mas não conseguia ‘se livrar’ da veia musical e formou com a amiga Lúcia Turnbull uma dupla no estilo glam rock (também conhecido como glitter rock), chamada As Cilibrinas do Éden, que fez única gravação ao vivo no festival Phono 73 e nunca foi lançado um disco. Anos depois, uma das músicas da dupla daria origem ao hit Shangrilá, em 1980. Rita e Lúcia desistiram da dupla e formam a banda Tutti-frutti - que finalmente conseguiu gravar alguns discos e fortalecer o sucesso da música “Esse tal de roquenrou”.

Mesmo apostando muito mais nas baladas, Rita Lee ainda tocava rock na década de 1980 e já influenciava outras artistas, por exemplo, a Pitty. E também Talita que foi casada com o filho da Rita, o Beto Lee, sendo a mãe da primeira neta de Rita Lee (foto ao lado). A Talita foi durante dez anos vocalista da extinta banda Motores e não é mais casada com o filho de Rita Lee.


A malandragem de Cássia Eller

Nos anos 1990 surgia Cássia Eller que tinha atitude total rock n’ roll invandiu a cena rock conquistando o nosso país e colocando em pauta a questão da homosexualidade, já que ela era gay assumida. Voz grave, às vezes confundida com voz masculina, ela até hoje deixa saudades, pois em 2001 infelizmente faleceu após uma parada cardiorespiratoria. Ela chegou a cantar vários estilos, mas o rock prevalecia em boa parte de sua obra. Nem só em sua música, mas também em sua maneira transparente de ser, falando tudo doa a quem doer. A canção “Malandragem” a fez ficar conhecida nacionalmente, tanto que rendeu várias parcerias, inclusive com Rita Lee.


Penélope mostra que na Bahia é possível fazer rock

Em 1995 a baiana Penélope - que ficou na estrada durante quase 10 anos e contava com a Erika Martins nos vocais e na guitarra – fez muito sucesso. O hit que tornou a banda conhecida no país inteiro foi “Namorinho de Portão” (regravação da Gal Costa, com letra do Tom Zé, que fez muito sucesso em 1968 e foi tema da novela Malhação em 2000). Lembrando que, no início da carreira, a banda se chamava Penélope Charmosa, mas a Hanna-Barbera, empresa criadora do desenho, não liberou a utilização do nome. Assim que a banda Penélope encerrou atividades, em 2005, Erika Martins seguiu carreira solo e participa do projeto Lafayette e os Tremendões.

As guitarras pesadas de Syang

Também em 1995 surgia a banda P.U.S com a Syoung, que toca guitarra desde os 12 anos de idade (muito bem, diga-se de passagem), e dividia atividades ao lado do então marido Ronany (vocal). Syoung foi uma das poucas mulheres no Brasil até o momento a tocar rock pesado com pitadas de trash metal, pois é muito raro ver as mulheres envolvidas em projetos metal, a maioria toca pop rock. E não me pergunte o motivo. Acho que não tem explicação, talvez a maioria curta muito mais essa vertente do rock. Syoung adorava AC/DC e se apaixonou pela irreverência e timbres fortes da guitarra de Angus Young. Por sorte teve a felicidade de o conhecer pessoalmente, no Rock in Rio, e foi batizada com esse nome pelo próprio Angus. Por falar em Rock in Rio, ela participou do evento ao lado do Biquini Cavadão e fez parte de uma das formações da banda gaúcha DeFalla. Atualmente ela usa o nome Syang. Sumiu por um tempo e depois ressurgiu nas telas no programa Casa dos Artistas 2 (SBT) em 2002, apresentou um programa na TV Gazeta chamado Swing com Syang e lançou o livro "Sexualidade na Gravidez". Muitos fãs se decepcionaram quando ela começou a cantar músicas pop, mas alguns ainda acreditam que ela volte pro mundo do metal com o peso dos seus riffs de guitarra.

Pitty sacode a poeira e mostra o que a baiana tem

O rock feminino no mainstream ficou um tempo adormecido no final dos anos 1990, até que no início dos anos 2000, Pitty deu um pontapé na porta, tirando o mofo, e ao sacudir a poeira conquistou também um lugar ao sol, além de fazer com que as mulheres voltassem a brilhar no mundo do rock. Até hoje ela incentiva muitas meninas do Brasil a tocar numa banda de rock. E cada vez mais mulheres surgiram: Megh Stock (ex Luxúria), Vanessa do Ludov, Bianca Jhordão do Leela. No underground tem muita banda bacana: Dominatrix, Private Dancers, Homocinética, Punkake, Condessa Safira, Lipstick, DKLC, Mixtape, Gloss, entre outras e outras e outras.

Voltando a falar na Pitty, antes de iniciar a carreira solo em 2002, a roqueira baiana já tinha tocado em duas bandas. Ela foi baterista da Shes e vocalista da Inkoma. Ah! E Na banda Shes tinha a guitarrista Carol Ribeiro que atualmente faz parte da banda baiana chamada Lou e conta com a participação de outras garotas. Em quase seis anos de carreira Pitty já faturou cerca de 40 prêmios, a maioria deles graças ao Video Music Brasil da Music Televion brasileira. Na bagagem ela ainda carrega três CDs de estúdio e dois ao vivo, fora centenas de shows por todo território nacional e apresentações no Japão e Portugal.

Você pode reclamar “faltou falar de muita gente”. Claro, com toda razão! Mas ainda teremos muitas e muitas outras edições aqui no Mundo Rock de Calcinha para falarmos sobre as mulheres do rock.

fotos: internet/divulgação/arquivoMRC





2 comentários:

Carlos Felipe disse...

Mto bom o post!!!
Curto rock desde moleque e ouvi mto Rita Lee.

Dps Pitty.

Mta coisa vim conhecer com o Mundo Rock de Calcinha e adoro!!

Malu Jaspe disse...

Jamais pensei q Nora Ney alguma vez cantou rock...Muito tri.